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Enfermeira alerta para riscos do uso de Cytotec em abortos clandestinos em Cabo Verde

Enfermeira alerta para riscos do uso de Cytotec em abortos clandestinos em Cabo Verde

A responsável advertiu que a prática tem provocado complicações graves e, em alguns casos, mortes maternas em Cabo Verde.

Em declarações à Inforpress, esta profissional de saúde explicou que o misoprostol é um medicamento indicado para o tratamento de úlceras gástricas e também utilizado, sob supervisão médica, em procedimentos gineco-obstétricos como a indução do parto, prevenção de hemorragias pós-parto e interrupção legal da gravidez.

“É um medicamento que deve ser administrado apenas em ambiente hospitalar, com orientação e acompanhamento médico. O uso incorrecto pode causar hemorragias intensas, rotura uterina e infecções generalizadas que podem levar à morte”, alertou.

Segundo a enfermeira, muitas mulheres recorrem ao Cytotec em casa, de forma insegura, movidas pelo desespero, pela desinformação ou pelo medo do julgamento social.

“O uso do misoprostol fora do hospital, para mim, é um acto de desespero. É arriscar a própria vida para interromper uma gravidez”, advertiu.

Recordou que o aborto é legal em Cabo Verde até às 12 semanas de gestação, quando realizado nos hospitais públicos, com acompanhamento médico e em condições de segurança.

No entanto, realçou que “muitas mulheres desconhecem este direito e acabam por recorrer a métodos clandestinos, com graves riscos de vida”.

“Nós devemos empoderar as mulheres à informação. As mulheres têm que estar conscientes do que estão a fazer, dos riscos, das consequências e das alternativas”, reforçou.

Lindzai Lopes defendeu ainda que os profissionais de saúde devem acolher e orientar as mulheres que enfrentam uma gravidez não desejada.

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