Em 2024, o governo anunciou que a requalificação da estrada Calhau–Morada teria um custo superior a 500 mil contos, com financiamento assegurado por parcerias internacionais. Em Março deste ano, o ministro das Infraestruturas garantiu que a obra seria retomada “brevemente”, após atrasos financeiros e administrativos. Em Outubro passado, a Câmara Municipal confirmou que decorriam pavimentações em betão betuminoso e execução de drenagem ao longo do traçado.
Apesar do ritmo já acelerado, técnicos e moradores levantam dúvidas sobre aspectos fundamentais, entre os quais ao alargamento da via. Aqui, os motoristas questionam se a largura prevista garante segurança em curvas e zonas de maior tráfego. Outra preocupação tem a ver com a proteção das bermas em que especialistas alertam para riscos de erosão e desmoronamentos, sobretudo em áreas expostas ao vento e à chuva.
No tocante às encostas A NAÇÃO constatou que têm sido tomadas medidas de contenção que, no entanto, parecem insuficientes para evitar deslizamentos, levantando dúvidas sobre a durabilidade da obra. E sobre a qualidade do asfalto fala-se no receio de que o material usado não resista ao clima seco e salino da ilha.
Vozes locais
Esta reportagem ouviu várias pessoas, como agricultores, pescadores e motoristas de hiace. “É bom ver a estrada a andar, mas queremos que seja feita para durar”, afirma António, agricultor de Calhau, enquanto carrega caixas de tomate para o mercado.
Já Maria, pescadora, comenta: “Com estrada boa, podemos levar peixe fresco mais rápido para o Mindelo. Mas se não protegerem as encostas, daqui a uns anos vai cair tudo de novo”.
Um motorista de hiace acrescenta: “Se não alargarem bem, vai ser mais perigoso do que antes. A estrada não pode ser só para mostrar serviço”.
Caracteristicas
Segundo informações fornecidas pelo Ministério das Infraestruturas, a obra prevê cerca 16 quilómetros de pavimentação em betão betuminoso, numa execução de 35 pontos de drenagem para águas pluviais, alargamento em zonas críticas, com bermas reforçadas. O prazo de conclusão primeiro semestre de 2026, e o custo estimado em 520 mil contos, com financiamento do Estado e parceiros internacionais.
