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Cabo Verde assinala Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência com foco em igualdade, desafios e políticas educativas

Publicada em: 11/02/2026 11:34 -

Em Cabo Verde, apesar dos avanços no acesso feminino à educação, a representação das mulheres nas carreiras científicas ainda revela “desequilíbrios significativos”.

Em 2018, cerca de 66,8% dos estudantes em ciências exactas, engenharia e tecnologia eram homens, enquanto 33,2% eram mulheres.

No caso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), no final de 2023 contabilizavam-se 500 estudantes homens e 200 mulheres, demonstrando a persistência de lacunas na escolha destas carreiras por jovens mulheres.

Mesmo assim, os progressos no ensino superior são notáveis e, actualmente, 50,9% das pessoas com qualificação média ou superior em Cabo Verde são mulheres (…), reflectindo um aumento consistente da presença feminina em níveis mais avançados de instrução.

Para aprofundar a análise sobre os desafios e oportunidades da participação feminina nas ciências, a Inforpress abordou especialistas, profissionais e representantes de universidades, que cada vez mais incorporam ciência e tecnologia nos seus planos curriculares.

Estes actores oferecem uma visão prática e estratégica sobre a realidade científica e tecnológica em Cabo Verde.

Para a coordenadora do Grupo Principal de Informática e Tecnologias Multimédia da Universidade de Cabo Verde, professora Cleonice Moreira, a maior frequência feminina no ensino superior nem sempre se traduz em maior presença nas carreiras científicas ou em cargos de liderança académica.

“O acesso à rede de investigação, à liderança e ao financiamento científico continua desigual. Reconhecer que estas áreas são predominantemente masculinas é o primeiro passo para as transformar por meio de políticas de equidade e programas de mentoria”, explicou.

A responsável reforçou ainda que curiosidade, criatividade e capacidade de resolver problemas não têm género.

“Nenhuma mulher ou menina deve sentir que uma área não é para si. Procurar mentorias, envolver-se em projectos científicos desde cedo e acreditar no próprio potencial são passos fundamentais. A ciência exige persistência, mas é transformadora, tanto pessoal como socialmente”, acrescentou.

Entre as iniciativas que incentivam a participação feminina na ciência, sobressai o projecto “kafuca”, concebido pelo Accelerator Lab do PNUD e RS2Lab e desenvolvido em parceria com o laboratório EDS TonsLab.

O projecto adapta um candeeiro tradicional para funcionar com energia renovável, levando electricidade a comunidades ainda sem acesso à energia e demonstrando como a ciência aplicada pode gerar impacto social real.

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