As tempestades de Janeiro e Fevereiro de 2026, com destaque para as depressões Kristin e Leonardo, resultaram em inundações generalizadas e causaram, pelo menos, 16 mortos, levando o país a declarar o estado de calamidade em 69 municípios.
Com muitas zonas por reconstruir e mão-de-obra interna insuficiente, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, anunciou que o Governo vai facilitar a entrada de trabalhadores estrangeiros através de canais regulados.
Áreas como a construção civil e infraestrutura são consideradas, por isso, prioritárias, e a contratação deve ser feita sob demanda do serviço público de emprego português, IEFP.
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, também defendeu a abertura de um “canal de entrada” de imigrantes, para a captação de mão de obra “especialmente vocacionada para este tipo de desafio”.
Não obstante a urgência reconhecida pelas autoridades portuguesas, até agora não houveram desdobramentos, nem a nível central, nem na representação diplomática, no caso de Cabo Verde, sobre a forma como esta abertura vai ser feita e o perfil dos trabalhadores requeridos.
Políticas de emigração endurecidas
Ouvida pelo A NAÇÃO sobre as expectativas da comunidade cabo-verdiana quanto a esta anunciada medida, a presidente da Associação Cabo-verdiana de Setúbal, Felismina Mendes, frisa que as políticas de imigração portuguesas estão a endurecer significativamente, privilegiando migração altamente qualificada e com critérios de permanência e naturalização mais exigentes.
Para a comunidade cabo-verdiana, historicamente muito ligada a Portugal por laços familiares, culturais e linguísticos, isso significa maior custo e complexidade na entrada e integração, possíveis atrasos ou barreiras para reunificação familiar e acesso à cidadania e a redução gradual da acessibilidade tradicional do mercado português para imigrantes sem ofertas de emprego prévias”, elencou.
