Demorou sete anos até que o glaucoma congénito de Naldi Veiga fosse diagnosticado. Quando finalmente chegou ao médico, a pressão ocular já tinha provocado danos irreversíveis no nervo óptico.
Hoje, completamente cega, recorda uma infância marcada por sintomas ignorados. “O meu glaucoma é congénito. Nasci com este problema, mas não foi diagnosticado cedo e, consequentemente, também não houve tratamento”, conta.
A doença foi identificada apenas quando tinha sete anos, numa altura em que os danos já estavam avançados. Naldi Gomes conta que a infância decorreu no interior do país, onde o acesso à informação e aos cuidados de saúde era mais limitado.
“A minha mãe também não tinha conhecimento acerca da doença. Vivíamos no interior e acredito que por isso demorou um pouco a levar-me ao médico”, explica.
Antes do diagnóstico, os sinais estavam presentes no quotidiano. “Os meus olhos lacrimejavam muito e tinha muita sensibilidade à luz. Não conseguia encarar as luzes, nem do Sol nem de outro tipo”, recorda.
Para conseguir ver minimamente as pessoas à sua volta, adaptava-se como podia. “Tinha de semicerrar os olhos ou fechar um deles e muitas vezes colocava a mão na testa para conseguir ver mais longe. Mesmo assim não via bem”, descreve.
