A mais recente actualização epidemiológica do Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC na sigla em inglês) aponta para um crescimento de infecções por Shigella e Salmonella associadas a viagens ao país, sobretudo desde o último trimestre de 2025.
Segundo o relatório, a maioria dos casos foi identificada em viajantes provenientes do Reino Unido, mas há também registos em outros países europeus, como França, Países Baixos, Suécia e Irlanda, o que reforça a dimensão internacional do fenómeno. Em muitos dos casos analisados, os turistas tinham passado férias nas ilhas do Sal e da Boa Vista, dois dos principais centros da actividade turística nacional, onde se concentra grande parte da oferta hoteleira do país.
A shigelose, uma das infecções em destaque, é uma doença bacteriana que se manifesta através de sintomas como diarreia, febre e dores abdominais, podendo, em situações mais severas, levar à desidratação. A transmissão ocorre geralmente por ingestão de água ou alimentos contaminados, embora também possa verificar-se através de contacto directo entre pessoas, o que torna mais difícil a identificação de uma única fonte de contágio. De acordo com o ECDC, a origem exacta destes casos continua por apurar, estando em curso investigações para determinar eventuais cadeias de transmissão.
Apesar do aumento de notificações, as autoridades europeias classificam o risco para viajantes como moderado, afastando, para já, cenários de alarme generalizado. Ainda assim, recomendam a adopção de medidas preventivas básicas, como o consumo de água engarrafada ou tratada, a ingestão de alimentos bem confeccionados e o reforço da higiene pessoal, sobretudo em contextos turísticos com elevada rotatividade de visitantes.
Do lado cabo-verdiano, não foi declarada qualquer situação de surto ou epidemia, e as autoridades sanitárias mantêm que não existe, até ao momento, uma ligação directa comprovada entre todos os casos reportados e uma fonte específica no país. A posição oficial sublinha o funcionamento regular do sistema de vigilância epidemiológica e o cumprimento dos padrões internacionais de controlo sanitário, numa tentativa de conter eventuais impactos negativos sobre a imagem externa do destino.
O contexto levanta, contudo, desafios adicionais para um setor turístico que representa um dos principais motores da economia nacional. A recorrência de episódios semelhantes nos últimos anos, ainda que de dimensão limitada, sugere a necessidade de aprofundar mecanismos de controlo e prevenção, particularmente nas cadeias de abastecimento alimentar e nos serviços associados à hotelaria.
