A Associação para a Defesa do Consumidor (ADECO) divulgou esta semana o seu Índice de Consumo Essencial (ICE) referente ao mês de Março. O documento vem atestar aquilo que é a perceção real das famílias no dia a dia, especialmente daquelas que sobrevivem com o salário mínimo, que se mostra manifestamente insuficiente para fazer face às despesas com dignidade.
Apresentado no Mindelo, o índice traz dados também do Sal e, pela primeira vez, da cidade da Praia. ADECO garante que os dados revelados denunciam uma “preocupante disparidade entre as necessidades básicas das famílias cabo-verdianas e os rendimentos auferidos”. Os dados apresentados demonstram que o poder de compra mínimo dos cidadãos permanece, assim, desajustado face às exigências do consumo básico.
Sal é onde a vida é mais cara
Para a ilha de São Vicente, o indicador aponta que um “indivíduo saudável” necessita de 24 mil 856 escudos para satisfazer as suas necessidades básicas, o que representa, segundo a ADECO, um aumento “significativo” desde o início da monitorização em 2022, quando o valor se fixava em 18 mil e 354 escudos. Ou seja, em quatro anos, o ICE aumentou mais de seis mil escudos na ilha do Monte Cara.
Na ilha do Sal, o índice atinge os 34.909 escudos por pessoa. Na cidade da Praia, o ICE de Março contabilizado chega aos 33.156 escudos.
A ADECO alerta para o fosso existente entre estas necessidades básicas e o salário mínimo nacional, fixado em 17 mil escudos para o setor privado e 19 mil escudos para o público.
Alimentação lidera gastos
Segundo a ADECO a alimentação assume o maior peso em todos os índices calculados, nos três municípios, aproximando-se “perigosamente, ou mesmo ultrapassando”, o valor do salário mínimo.
Sal é o município onde os gastos com alimentação são mais caros, ou maiores, devido ao custo de vida na ilha, ao atingir os 18 mil 240 escudos, enquanto em São Vicente e na Praia atinge valores ligeiramente acima dos 15 mil escudos.
Nesse contexto, e tendo em conta os números apresentados, o Presidente da ADECO, Nelson Faria, destaca, por isso, a urgência de medidas concretas. “Os índices revelam um claro défice de rendimento no país que impossibilita o consumo essencial das famílias. Apelamos a que seja definido um salário mínimo que se aproxime das necessidades de consumo essencial e que tenha uma perspetiva de adequação face à inflação”, defendeu.
Perda de poder de compra de 15% nos últimos anos Aquele responsável contextualiza ainda que, nos últimos cinco anos, assistimos a uma “perda de poder de compra das famílias na ordem dos 15%, sem que houvesse aumentos de rendimento nessa linha.
