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"Uma narrativa, por mais bem elaborada que seja, não governa um país" — Luís Carlos Silva, líder parlamentar do MpD, sobre o programa do Governo

Publicada em: 13/07/2026 08:48 -

O povo cabo-verdiano decidiu mudar o Governo. O MpD respeita integralmente essa decisão. Perdemos as eleições, mas não perdemos as nossas referências nem o nosso compromisso com Cabo Verde. Continuaremos a servir o país a partir da oposição, porque acreditamos que uma democracia forte também depende de uma oposição forte, responsável e preparada.Quanto ao Programa do Governo, parece-nos um documento que privilegia a construção de uma narrativa política. Mas uma narrativa, por mais bem elaborada que seja, não governa um país. Governar é fazer escolhas, estabelecer prioridades e apresentar soluções credíveis.Ficou-nos a sensação de que praticamente tudo é estratégico e tudo é prioritário. Ora, uma estratégia existe precisamente para definir prioridades. Quando tudo é estratégico, torna-se difícil perceber qual é, afinal, o rumo do Governo.

Vai o Grupo Parlamentar do MpD votar contra ou abster-se na moção de confiança? Porquê?

A decisão será tomada pelo Grupo Parlamentar, após o debate parlamentar e a apreciação política do Programa, como sempre acontece.Posso apenas dizer que, numa primeira leitura, o documento não parece corresponder à ambição de um país que quer afirmar-se entre os melhores. Esperamos que o debate permita esclarecer um conjunto de questões fundamentais, porque os cabo-verdianos têm o direito de conhecer não apenas as intenções do Governo, mas sobretudo a forma como pretende concretizá-las.

Que condições teriam de existir para o Grupo Parlamentar do MpD poder viabilizar este programa?

Mais do que discutir cenários hipotéticos, interessa discutir o conteúdo do Programa. O debate parlamentar existe precisamente para isso: confrontar o Governo com os compromissos que assumiu perante os cabo-verdianos. A campanha eleitoral terminou. Agora começa a governação. E governar significa explicar como serão implementadas as medidas anunciadas, quais serão verdadeiramente prioritárias e como serão compatibilizadas com a realidade financeira do país. Esperamos que o debate permita esclarecer questões fundamentais. Como será implementada a gratuitidade anunciada para a saúde, a educação e os transportes? Como serão financiadas essas medidas sem comprometer a sustentabilidade das finanças públicas? E há uma questão que nos parece particularmente relevante: durante a campanha eleitoral, o Primeiro-Ministro assumiu o compromisso de elevar o salário mínimo nacional para 30 mil escudos. Não encontrámos uma referência clara a esse compromisso no Programa do Governo. Os trabalhadores cabo-verdianos têm o direito de saber se esse compromisso se mantém, quando será concretizado e em que condições. É isso que os cabo-verdianos esperam e merecem de um Programa do Governo: não apenas intenções, mas explicações claras sobre a forma como os compromissos assumidos serão efetivamente concretizados.

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