“Não podemos corrigir em 100 dias aquilo que se acumulou durante anos. Mas temos a obrigação de começar a corrigir agora e foi isso que fizemos”, afirmou Francisco Carvalho, numa intervenção em que procurou apresentar as primeiras medidas do Executivo e, ao mesmo tempo, definir a orientação para os próximos anos.
O primeiro-ministro reconheceu que a realidade encontrada foi “mais exigente” do que aquela que inicialmente previa. Entre os problemas identificados, apontou as dificuldades no acesso à água e à energia, a precariedade das estradas, a falta de inclusão social e os constrangimentos ao desenvolvimento económico.
Francisco Carvalho afirmou que algumas decisões importantes foram adiadas e que assumir essa realidade faz parte da transparência que o Governo pretende imprimir à governação. Mas rejeitou que os primeiros meses tenham servido apenas para fazer um diagnóstico.
Uma das primeiras ferramentas utilizadas pelo Executivo foi o Orçamento Rectificativo, apresentado como forma de reorganizar investimentos e canalizar recursos para áreas consideradas prioritárias.
É na vida das famílias, contudo, que, segundo o prieiro-ministro, o Governo pretende fazer sentir essas escolhas. Na educação, Francisco Carvalho destacou a subsidiação das creches e do pré-escolar para crianças dos zero aos cinco anos, com uma meta inicial de mil beneficiários. A gratuitidade do ensino superior foi igualmente apresentada como uma medida destinada a evitar que as dificuldades económicas impeçam os jovens de prosseguir os estudos.
O horário alargado, inicialmente implementado na Praia, no Sal e na Boa Vista, pretende responder a outro problema do quotidiano das famílias: garantir às crianças acompanhamento depois das aulas, com alimentação e actividades, ao mesmo tempo que permite aos pais conciliar o trabalho com os cuidados aos filhos.
Na habitação, o Governo diz ter iniciado projectos de habitação social, como o programa Barraca Zero, enquanto prepara uma nova geração de políticas públicas para o sector. Para Francisco Carvalho, a questão ultrapassa a existência de um tecto. “Uma casa digna não é apenas um tecto, é segurança, é saúde, é estabilidade para uma família construir o seu próprio futuro”, afirmou.
