O estudo realizado no âmbito da 10.ª Ronda do Afrobarometer (2024/2025), através de um módulo específico sobre saúde e direitos sexuais e reprodutivos (SDSR), mostra que cerca de 22% afirmam que as interrupções da gravidez acontecem frequentemente nas suas comunidades e 6% dizem que ocorrem ocasionalmente.
Outros 16% consideram que acontecem raramente, enquanto 26% afirmam que nunca acontecem. Três em cada dez inquiridos (30%) não souberam responder ou recusaram-se a fazê-lo.
O relatório ressalva, contudo, que estas respostas não devem ser interpretadas como uma estimativa precisa da frequência real dos abortos. O conhecimento sobre a prática e a disponibilidade para falar sobre o assunto podem ser influenciados pelo contexto social, cultural, religioso e legal, bem como pelo grau de abertura com que o tema é discutido na sociedade.
No que diz respeito à autonomia feminina, 89% dos inquiridos defendem que as raparigas e as mulheres devem poder decidir por si próprias se e quando se casam.
O apoio é ligeiramente superior nas zonas urbanas, onde atinge 90%, contra 85% nas zonas rurais. Entre os cidadãos sem privação material, a percentagem chega a 94%, enquanto varia entre 85% e 88% entre aqueles que enfrentam diferentes níveis de pobreza.
Quanto às decisões sobre a maternidade, 86% dos participantes consideram que as mulheres devem ter autonomia para decidir quando querem ter filhos e quantos pretendem ter.
Neste domínio, as mulheres mostram-se mais favoráveis do que os homens, com 98% e 82%, respetivamente, segundo o relatório.
Neste contexto, 93% dos inquiridos defendem que as raparigas devem poder continuar os estudos mesmo quando engravidam ou têm filhos. O apoio é elevado nos diferentes grupos da população, variando entre 91% entre os inquiridos sem educação formal e 97% entre aqueles com ensino pós-secundário.
Para 95% dos participantes, as escolas devem ensinar educação sexual aos jovens, de modo a ajudá-los a tomar decisões informadas. Apenas 4% se opõem à medida.
