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FMI quer maior transparência nas empresas públicas e revê riscos para as contas do Estado

FMI quer maior transparência nas empresas públicas e revê riscos para as contas do Estado

O responsável destacou a necessidade de conhecer melhor a situação financeira das empresas públicas, melhorar a divulgação de informação sobre estas entidades e definir os próximos passos das reformas em curso. A revisão dos subsídios aos combustíveis também está entre as matérias em análise, com o FMI a defender mecanismos mais direccionados para proteger as famílias vulneráveis dos aumentos dos preços da energia.

Na reunião, a secretária de Estado das Finanças, Maria José Lopes, anunciou que o Governo prevê um crescimento económico de 5,6% em 2027, uma inflação em torno dos 2% e um défice público de 1%. A dívida pública deverá situar-se em cerca de 87,5% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto as receitas fiscais deverão atingir aproximadamente 78 mil milhões de escudos, um aumento previsto de 7,9%.

Apesar destas perspectivas, a governante reconheceu que Cabo Verde continua a enfrentar desafios estruturais, associados à sua condição de pequeno Estado insular, à dependência das importações e à exposição a choques externos. Defendeu, por isso, que a estabilidade financeira deve estar ao serviço do desenvolvimento, traduzindo-se em mais oportunidades, melhores serviços públicos e melhores condições de vida.

Maria José Lopes sustentou ainda que a relação com o FMI deve ir além do acompanhamento das contas públicas, das revisões dos programas e dos desembolsos financeiros, contribuindo também para o reforço das capacidades institucionais e para a melhoria das políticas públicas.

Entre os desafios que exigem atenção particular, a secretária de Estado apontou a situação de empresas públicas como a ELECTRA, os transportes colectivos da praia e a Águas de Santiago (AdS), que continuam a colocar problemas económicos, financeiros e sociais.

O líder da equipa do FMI,Martin Schindler, considerou que os subsídios aos combustíveis podem reduzir os incentivos das famílias e das empresas para ajustarem o consumo quando os preços internacionais da energia aumentam.

O responsável reconheceu a importância de proteger os grupos mais vulneráveis, mas apontou as transferências monetárias direccionadas como uma das alternativas que permitem concentrar o apoio nas famílias que mais precisam, em vez de subsidiar de forma generalizada o consumo.

A questão será discutida com as autoridades nacionais durante a missão, num contexto em que a evolução dos preços dos combustíveis continua incerta e exige a avaliação de medidas que protejam a população sem comprometer a sustentabilidade das finanças públicas.

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