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Economia de Cabo Verde cresce 6,3%, mas Banco Mundial alerta que fraca ligação entre ilhas trava desenvolvimento

Publicada em: 15/07/2026 09:30 -

Segundo a mais recente Cabo Verde Economic Update 2026, divulgada esta terça-feira, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 6,3% em 2025, sustentado pelo aumento das chegadas de turistas, pela expansão das exportações de serviços e pelo investimento. O relatório prevê, contudo, uma desaceleração para 4,8% em 2026, devido à normalização da recuperação do turismo e ao impacto das tensões no Médio Oriente sobre a economia mundial.

O documento destaca que o turismo continua a ser o principal motor da economia, permitindo reduzir a taxa de pobreza de 53,8% para 51,2%, retirando cerca de 12 mil pessoas da pobreza. O desemprego caiu para 6,2%, embora o desemprego jovem e a subutilização da mão-de-obra permaneçam elevados.

Nas contas públicas, o Banco Mundial sublinha que Cabo Verde registou, pela primeira vez desde 2007, um excedente orçamental de 1% do PIB. As receitas fiscais atingiram níveis recorde e a dívida pública continuou a descer, fixando-se em 100,7% do PIB no final de 2025. Apesar desta evolução positiva, a instituição avisa que o elevado peso do serviço da dívida continua a limitar a margem financeira do Estado.

O relatório assinala igualmente o reforço da posição externa do país, com um segundo excedente consecutivo da balança corrente, reservas internacionais em níveis históricos – 975 milhões de euros – e um sistema financeiro considerado sólido e bem capitalizado.

Conectividade continua a ser o principal bloqueio

A segunda parte do relatório centra-se na ligação entre transportes e crescimento económico, identificando a fraca conectividade inter-ilhas como um obstáculo estrutural ao desenvolvimento do arquipélago.

Segundo o Banco Mundial, a insuficiência de ligações aéreas e marítimas fiáveis impede uma maior integração dos mercados internos, dificulta a mobilidade de trabalhadores e empresas e limita o desenvolvimento de cadeias de valor nacionais.

A instituição observa que o turismo continua excessivamente concentrado nas ilhas do Sal e da Boa Vista, enquanto outras ilhas enfrentam dificuldades para captar investimento devido aos problemas de transporte. As limitações na circulação de mercadorias também penalizam sectores como as pescas e o agronegócio, aumentando custos e reduzindo a competitividade das empresas.

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