Mais de cem pessoas morrem por ano em Cabo Verde devido ao consumo do tabaco – INSP

Mais de cem pessoas morrem por ano em Cabo Verde devido ao consumo de tabaco, segundo o relatório de consumo e medidas de controlo do tabaco de 2020 do INSP, publicado no site do observatório do tabaco.

De acordo com o documento consultado pela Inforpress, no quadro do Dia Mundial sem Tabaco que hoje se assinala, 104 óbitos de pessoas com de 30 anos ou mais, registados em 2017, estiveram relacionados com doenças provocadas pelo tabagismo, que é considerado um problema de saúde pública em Cabo Verde.

O Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP) aponta o tabagismo como principal factor de risco nas três principais causas de óbitos em Cabo Verde, designadamente as doenças cardiovasculares, os cancros e as infecções respiratórias.

O relatório frisa ainda que o tabaco é a segunda substância lícita mais consumida em Cabo Verde, sendo a prevalência actual no grupo etário dos 25 a 64 anos é de 8,1%.

Citando um estudo realizado pela Comissão de Coordenação ao Álcool e outras Drogas (CCAD) aponta que cerca de 7% do início do consumo ocorre em crianças com idade entre 06 a 12 anos e 53% em jovens com idade inferior ou igual a 18 anos.

“As jovens tornam os principais alvos das indústrias do tabaco uma tendência evidenciada globalmente”, refere o relatório, indicando que além dos efeitos prejudiciais na saúde das pessoas fumadores e não fumadores, o consumo de tabaco tem um impacto socio-económico negativo na sociedade.

“O resultado do estudo demonstrou que em 2017, o controlo do tabagismo custou à economia cabo-verdiana equivalente a 1,1% do PIB (1,62 mil milhões escudos ao ano) e causou 104 óbitos”, precisou

Entretanto, documento frisa que Cabo Verde demonstrou o seu compromisso no que concerne ao controlo e a redução do consumo de tabaco, ratificando em 2005, a Convenção Quadro para o Controlo do Tabaco (CQCT) da Organização Mundial de Saúde, salientando que a sua implementação a nível nacional, ganhando o status de Política de Estado.

O INSP considera que desde a sua adesão a CQCT,  Cabo Verde já conseguiu grandes avanços no que concerne ao controlo de tabaco.

Como resultado do engajamento e vontade política demonstrado pelo governo no controlo de tabaco,  aponta o fato de Cabo Verde ter sido um dos cinco  países da região africana selecionado pelo Secretariado da OMS para o Controlo do Tabaco, como um parceiro do Projeto FCTC 2030.  

Contudo, apesar da baixa prevalência de tabagismo no País,  as evidências apontam que os custos socioeconómicos são significativos e há um aumento gradual de produção e consumo de tabaco em Cabo Verde.

“Graças ao engajamento e vontade política demonstrados, Cabo Verde já deu passos significativos no que concerne ao controle do tabaco. Entretanto, o país precisa de reforçar a implementação das recomendações do CQCT para atingir o objectivo do tratado que é proteger as gerações presentes e futuras das devastadoras consequências sanitárias, sociais, ambientais e económicas” refere o INSP no seu relatório.

Para assinalar o Dia Mundial Sem Tabaco, que hoje se assinala, o INSP, através da coordenação da ‘Iniciativa 2021 Ano do Acidente Vascular Cerebral: uma doença prevenível e tratável, konxel pa ivital’, promove em parceria com a CCAD um seminário sobre “Tabagismo e o risco do Acidente Vascular Cerebral”.

Para além de alertar sobre os males causados pelo consumo do tabaco, para prevenir a ocorrência de casos de acidente vascular cerebral,  o coordenador da iniciativa, Júlio Lima adiantou que é objectivo da organização consertar e actualizar os dados sobre o tabagismo em Cabo Verde.

O evento está marcado para às 9:00 desta segunda-feira num dos hotéis da cidade da Praia e a abertura vai ser presidida pelo Director Nacional de Saúde, Jorge Noel Barreto.

MJB/AA

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