FA/Caso da morte do recruta: Relatório da autópsia aponta “edema agudo pulmonar” como causa da morte do recruta Davidson Barros

O contra-almirante António Monteiro adiantou estas informações durante a conferência de imprensa para a divulgação das causas de morte do recruta Davidson Barros, que estava a prestar serviço militar, de acordo com as conclusões contidas no relatório de autópsia médico-legal, realizada pela Delegacia de Saúde de São Vicente, no Mindelo.

“Após a realização de um exercício de campo, na etapa final de uma marcha administrativa ocorrida no dia 12 do corrente mês de Outubro, no percurso Galé-Morro Branco, o recruta Davidson da Silva Barros sentiu-se mal disposto, apresentando um quadro clínico caracterizado por mal-estar geral, seguido de desmaio, tendo sido, após verificação in loco, pelo médico-militar de serviço, transportado para o Banco de Urgência do Hospital Baptista de Sousa, onde deu entrada, por volta das 17h25min, em estado inanimado”, explicou

Por volta das 01:30, através do comando da 1ª Região Militar, prosseguiu o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, foi recebida a informação do agravamento do quadro clínico do referido recruta, marcado por paragens cardiorrespiratórias, tendo o mesmo sido dado como óbito às 02:00 do dia 13 de Outubro do corrente ano, após o quinto episódio de paragens cardiorrespiratórias.

Conforme consta do relatório de autópsia médico-legal, realizada pela Delegacia de Saúde de São Vicente, na cidade do Mindelo, com data de 23 de Outubro, a causa principal da morte é edema agudo pulmonar, ou seja acúmulo de líquidos no pulmão, tendo como causa intermédia funcional falha ventricular esquerda e miocardiopatia dilatada e ainda como causa básica obesidade.

“Como já anunciado, o Estado-Maior determinou a realização de um inquérito, que tem por objetivo verificar toda e qualquer circunstância em que tenha estado na origem ou contribuído para a morte do recruta David Barros, cujas conclusões serão socializadas para o esclarecimento da família e do público em geral”, avançou o contra-almirante.

Por seu turno, o director do Serviço de Saúde das Forças Armadas, Fernando Tavares, garantiu que durante o processo de inspecçao e avaliação de recrutas antes de entrarem nas fileiras das Forças Armadas são feitos um conjunto de procedimentos para avaliação do estado de saúde dos mesmos e identificação de alguma doença.

Afiançou que durante a inspecçao realizada “não foi identificada no recruta Davidson Barros nenhuma patologia” que o considerasse inapto para prestar serviço militar.

“De acordo com o relatório, a patologia que o recruta tinha é uma doença que se manifesta de forma progressiva, no momento de inspeção não foi constatado nos exames físico, interrogatório e pelo próprio indivíduo sobre o seu estado e se estes três elementos não constarem durante o processo de inspecção é considerado como apto”, concretizou.

Quanto à questão da obesidade, esclareceu que a tabela das FA em vigor até hoje permite o recrutamento de cidadãos que pertencentes a classe de grau 1 e que a obesidade nível 1,2, inclusive 3, não tem contraindicação e nenhum elemento clínico para o recruta ser considerado inapto para prestar serviço militar, fazendo parte dessas classes.

Disse ainda que uma vez identificados os factores de risco ou indício de alguma patologia, ou limitações na prática de actividade física e o indivíduo é considerado inapto e muitas vezes são solicitados vários tipos de exames.

Quando o recruta está no nível 1 de obesidade a primeira conduta a ser tomada é a reeducação dietética, que é para controlar o que come e o segundo é a prática de actividades físicas e o recruta estava a participar numa caminhada administrativa. E durante o processo de inspecção”, declarou.

O recruta Davidson da Silva Barros era natural da localidade de Queimada, ilha do Fogo, e sentiu-se maldisposto na etapa final de uma marcha administrativa, tendo de imediato recebido os primeiros socorros do médico militar e do socorrista, que acompanhavam a referida marcha.

A Semana com Inforpress

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